Pela primeira vez a Conscienciologia irá participar do maior congresso mundial que discute o tema Consciência, que começa no dia 9 de junho de 2015, na Finlândia. Para falar mais sobre o seu trabalho, Ulisses Schlosser, concedeu entrevista ao Portal da Conscienciologia:

Você teve um artigo aprovado em um congresso internacional. Que evento é esse e sobre o que é o seu trabalho?

Ulisses Schlosser: O Evento se chama Toward a Science of Consciousness (TSC) que é um congresso internacional que existe há 21 anos, a tradução do nome é “Em Direção a uma Ciência da Consciência”. É um evento que reúne pesquisadores do mundo inteiro, principalmente de ambiente universitário, interessados em estudar a consciência suas consequências e uma série de abordagens relacionadas a esse tema. Várias pessoas até me sugeriram a questionar o nome do congresso pois se vão em direção a uma ciência da consciência é a basicamente a Conscienciologia. Quanto ao trabalho que estou levando o título é “ Metodologia Parafenomenológica” porque dentro da ciência convencional existe uma linha epistemológica para fundamentar várias metodologias científicas que é uma linha rigorosa, chamada Fenomenologia. A fenomenologia convencional foi proposta formalmente em 1931 com a publicação de um livro de autoria de Edmund Husserl onde ele propõe um método fenomenológico de investigação de estruturas da consciência, só que essa consciência que a ciência convencional estuda é a consciência do sentir-se consciente e não como um ser que concebemos na Conscienciologia. Então existe uma possibilidade de compreendermos melhor as abordagens convencionais para estabelecermos um diálogo entre esses dois paradigmas. Apesar de o trabalho ter sido aprovado a viagem em si é uma grande verificação de possibilidades para a Conscienciologia.

 

Qual o tamanho desse congresso e onde ele acontece?

Ulisses Schlosser: Esse ano acontece em Helsinque capital da Finlândia, e intercala anualmente no Arizona nos Estados Unidos onde foi criado. Ano passado foi no Arizona e no retrasado foi em uma cidade da Índia chamada Agra. As cidades do mundo onde mais aconteceu o evento foi Estocolmo, Copenhague, Bolonha entre outras cidades europeias. Aqui na América do Sul nunca aconteceu. Nós vamos para lá verificar se existe ambiente propício para o diálogo também nesse sentido. Esse evento, com essa tradição toda, conta com muitas linhas de pesquisa em torno do problema da consciência. Por exemplo, lendo os resumos dos trabalhos apresentados nas edições passadas temos “Ciência e Neurociência”, “Consciência e Linguagem”, “Consciência e Sociedade”, e assim por diante. Abrindo um parêntese, chama a atenção que nós da Conscienciologia ainda não tenhamos apresentado nada lá, mas vários de nossos pesquisadores acompanham esse evento há quase dez anos. Muito interessante esse ano estar acontecendo na Finlândia porque lá, em termos de ciência, é um país com mais abertura para criatividade e ideias novas. Os organizadores locais são finlandeses e talvez tenhamos ainda mais abertismo. O evento está enorme e pesquisando “TSC 2015” no Google é possível acessar as temáticas apresentadas.

 

Antes do evento propriamente dito ocorre o fórum oriente-ocidente. O que é isso?

Ulisses Schlosser: Acontece no dia 8, segunda-feira, e é uma discussão mais aprofundada sobre o problema da pesquisa no mundo, principalmente com a reunião de diversos paradigmas. O próprio nome está dizendo nesse sentido e pelo menos ali os pesquisadores acadêmicos reconhecem o pensamento diversificado na contribuição da pesquisa da consciência e por enquanto estão com essa polarização oriente – ocidente. Eles já tem se aproximado de outras linhas do conhecimento e nesse fórum surgem discussões de ponta sobre a consciência. É comum surgirem vídeos na internet que são fragmentos desse nível de discussão. Uma vez vi um debate com físicos famosos, dentro da ciência convencional, que aparecem para acompanhar o fórum e ver como está hoje no mundo a temática. É um pré-evento dedicado a um balizamento e uma integração mundial. São discussões que começam cedo e vão até o final da noite. Penso que nossa maior contribuição nesse tipo de fórum seria sobre a Cosmoética, o Paradireito ou mesmo o maxifraternismo. Com a crise mundial em termos morais, de tudo o que está acontecendo, a Conscienciologia tem muito a contribuir.

 

Você poderá encontrar com personalidades como Susan Blackmore e outros. Qual a expectativa de contatos com esses pesquisadores internacionais?

Ulisses Schlosser: Essa é uma das grandes expectativas. Alguns desses já são conhecidos e sabemos do seu posicionamento, se eles fossem interessados pela Conscienciologia já estariam conosco a mais tempo. Algo muito interessante é procurar pesquisadores sensíveis para o paradigma consciencial, a autopesquisa e nossos eixos de pesquisa, quem sabe encontrar pessoas com sensibilidade as bioenergias. Eu penso criar um ambiente de intercâmbio com muita atenção aos possíveis intermissivistas. Dessa forma, para transitarmos mais no meio acadêmico e o meio acadêmico conhecer mais nosso trabalho e quem sabe um dia tudo estar mais nivelado.

 

Além da Finlândia você vai para outros países. O que você pretende nesses outros locais?

Ulisses Schlosser: Primeiramente vou para a Holanda, na cidade de Leiden, que tem tradição na produção de dicionários e estou levando um draft do meu livro e, na mesma universidade, eles tem tradição na fenomenologia da consciência. Vou verificar a possibilidade de um diálogo entre as proposições da metodologia fenomenológica com o que eles estão pesquisando por lá. Tem provavelmente um parente meu chamado Marcos Schlosser, que ainda não conheço que é professor de lá. Vou testar como é a interação em relação aos fenômenos parapsíquicos na abordagem parafenomenológica. Vou para o congresso na Finlândia e depois fazer uma prospecção na Rússia em São Petersburgo e em Moscou. Já fiz uma especialização em Moscou e como morei por lá conheço bem o ambiente mas para lá vou com alguns focos especialmente para procurar pessoas na academia de medicina pois existe uma tendência de parapsíquicos na Rússia estudarem medicina. Há muitos médicos que são parapsíquicos lúcidos. Existe uma parapsíquica famosa chamada Natasha Demkina, que é jovem, e faz diagnóstico de heteroscopia por clarividência, disse em sua última aparição no Discovery Channel que iria estudar medicina. Vou tentar localizá-la, além de outras. Hoje existe uma aluna de Conscienciologia que mora em Moscou.

 

Como você percebe todo o amparo intra e extrafísico em função dessas viagens?

Ulisses Schlosser: Ao longo dos últimos anos eu sinto no trabalho de pesquisa e produção mas recentemente, em relação a essa viagem que as sincronicidades aumentaram muito. Hoje posso dizer que trabalho com uma equipin pequena que está em torno desse movimento. A minha dupla evolutiva já me disse a vários meses que está dedicada na assistência desse trabalho e hoje ela, Adriana Ribeiro, é a gerente de tudo o que está acontecendo. Toda a viagem é ela que está organizando, de toda a parte administrativa. Outra pessoa é o Flávio Monteiro que desenvolveu o projeto de comunicação gráfica dos materiais que estou levando para a Finlândia. Estou levando um painel que obviamente vamos expor no Brasil também e é trabalho do Flávio. Entreguei na mão dele um texto e ele transformou em um painel de alto nível, voluntariamente, um trabalho fantástico. O Jeffrey me ajuda com o inglês, apesar de saber falar, mas sinto o amor, o carinho, a ajuda e o espírito fraterno das pessoas. Fora do Brasil, foi impressionante a receptividade da Anne-Catrin Vogt, da Alemanha, e o nível de auxílio dela nas conversas foi algo que não estava acostumado. A Isabelle Ulyssea, que é brasileira mas mora na Finlândia e é voluntária, também está ajudando. Aqui no Brasil o Alexandre Zaslavsky e o Roberto Almeida ajudaram na participação nesse evento, que tinha também a participação do Antônio Pitaguari, no conselho científico que foi onde surgiu a ideia de participar do evento. Essas pessoas que considero uma equipe nesse movimento do congresso.

 

Você já está com um livro na revisão da editares sobre Parafenomenologia. Pode falar mais sobre essa obra e suas experiências?

Ulisses Schlosser: Essa experiência vem das minhas dificuldades pessoais juntando com as minhas tendências ou trafores. Não posso dizer que na minha juventude fui naturalmente interessado nesses assuntos mas tinha eventualmente um fenômeno ou outro. No final da minha adolescência essas ocorrências foram me chamando a atenção pois cheguei a ter clarividência espontânea, semiprojeções noturnas, entre outros. O que sempre me mais me atraiu foi a perspectiva evolutiva da consciência e se, obviamente, existi algum sinal de que essas coisas existem eu fui atrás para investigar. Conheci o professor Waldo em 1985, em sua residência, e no início achava tudo aquilo muito espetacular e na época estava procurando algo que fosse mais consistente. Eu que não fui capaz de ver a consistência que havia na época. Mas logo que foi fundado o IIPC em 1988, já morando em São Paulo, tive uma busca íntima de autoevolução e comecei a me envolver com a Projeciologia e senti que era por ali mesmo afastado. Fui para o IIPC e a partir das aulas do CIP, era bom aluno e tudo que acontecia nas aulas eu ia para casa para praticar tudo, me esforcei muito de maneira sistemática no desenvolvimento parapsíquico. Já escrevi um livro que um dia será publicado sobre autoconsciência contínua que trabalho a muito tempo de maneira aprofundada. E boa parte vem dessa pesquisa da projetabilidade e da clarividência viajora que são fenômenos que são o eixo nas minhas pesquisas. De modo geral, trabalho com desenvolvimento e pesquisa do parapsiquismo e é a síntese que tenho usado.

 

“O amadurecimento em participar veio da revista interparadigmas onde fui sugestionado, positivamente, nesse holopensene.”

 

Qual o recado final para os interessados nesse trabalho pioneiro?

Ulisses Schlosser: Que as pessoas interessadas procurem se conectar com esses assuntos pela internet ou mesmo se encorajar para enviar trabalhos. O próximo evento deve ser em abril de 2016 e está sendo feito nessa época pois em abril ainda tem neve na Finlândia eles colocaram para agora. Provavelmente a chamada de trabalhos deve acontecer em setembro. Qualquer coisa nos procure. Atualmente sou do CINEO da UNICIN e estamos trabalhando para reestruturar o conselho científico e quem sabe poderemos dar um auxílio sobre tudo isso. Para mais informações, sugiro procurar os colégios invisíveis, a revista interparadigmas e o conselho de neologística (CINEO) onde têm voluntários que conhecem esse processo.

Foto.Ulisses1

posterUlisses11A4

 

* Por Alexandre Pereira.

Compartilhe: