Por Ivo Valente*
  • Título Original: They Watch
  • País: França; & EUA. Data: 1993. Duração:100 min.
  • Gênero: Drama. Idade (censura): 14 anos. Idioma: Inglês.
  • Direção: John Korty.
  • Elenco: Patrick Bergin; Vanessa Redgrave, Valerie Mahaffey,  Rutanya Alda, Nancy Moore Atchison e Brandlyn Whitaker.
  • Roteiro: Edithe Swensen, baseada na obra de Rudyard Kipling.
  • Fotografia: Hiro Narita. Música: Gerald Gouriet.
  • Outros dados: Filme produzido para TV.

Acidente. O filme começa com a tragédia que ocorre na família de Mark Samuel, interpretado por Patrick Bergin. Mark é muito ocupado com problemas de trabalho e só consegue chegar ao espetáculo de balé da filha quando já havia terminado. A menina, magoada com a ausência do pai, recusa-se a voltar para casa com ele, preferindo ser passageira no carro da mãe. No caminho de volta, ocorre sério acidente de trânsito e a filha dessoma.

Fenômenos. O choque emocional na família é inevitável, em especial na figura do pai muito abalado pela dessoma acidental e prematura da criança. Entretanto, estranhos fenômenos de origem parapsíquica começam a surgir, indicando para Mark a existência de uma peculiar casa. Sem nem saber direito o porquê, Mark começa a procurar a misteriosa residência, intuindo que ali poderia encontrar respostas sobre o paradeiro extrafísico da filha. 

Durante a procura da casa, o pai chega a experimentar clarividência da imagem da filha quando está dentro de cabine telefônica. Novamente aparece no cinema o surgimento do interesse pelos temas multidimensionais depois da dessoma de parente próximo.

Clarividência. Depois de algum esforço, ao encontrar a casa, o pai encontra a moradora, a senhora Florence Latimer, magistralmente interpretada por Vanessa Redgrave. Esta é a personagem central do filme em relação ao parapsiquismo. Em diálogos com o pai, ainda reticente quanto ao processo parapsíquico, a Sra. Latimer revela que o seu parapsiquismo desabrochou depois de ter sofrido acidente no qual perdeu a visão. Paradoxalmente, ao perder a visão física,  ganhou a visão multidimensional, tendo clarividência para enxergar consciências extrafísicas, em especial crianças já dessomadas.

Tenepes. O auge do filme ocorre quando a Sra. Latimer relata que sempre, em determinado horário DO dia, interage com crianças extrafísicas, inclusive fazendo breve descrição da sinalética pessoal de maneira muito precisa. A proximidade desta atividade referida pela Sra. Latimer com a tenepes  é clara e surpreendente. O filme chega a mostrar, de maneira figurada, o momento de interação da personagem com as crianças extrafísicas. O personagem do mordomo também é interessante. É ele quem lembra Florence do horário das atividades de interação multidimensional.

Assédio. Há passagens do filme mostrando o processo de assédio interconsciencial, de maneira bem mais leve se comparada com a grande maioria dos filmes de Hollywood sobre parapsiquismo. Esse processo é exemplificado pela “criança coruja”, consciex ainda muito presa a mágoas e ressentimentos.

Interdimensionalidade. A ação da Sra. Florence irá desencadear, no decorrer do filme, o processo de reconcialiação entre a consciex, filha, e o pai, ainda conscin. Tal trecho do filme é inspirado no sentido de nos fazer pensar o quanto a tenepes tem papel nos mais variados processos de reconciliação, inclusive levando em conta a interdimensionalidade, ou seja, entre consciências intra e extrafísicas. Isto é especialmente válido para os próprios praticantes da tarefa energética pessoal.

Mérito. O filme é inegavelmente excepcional por abordar o tema das interações parapsíquicas sem fazer nenhuma menção a  questões religiosas ou  místicas. O  grande mérito foi conseguir abordar a complexidade dos processos  multidimensionais de maneira natural, simples e didática,  sem recorrer a nenhum excesso cinematográfico. É obra recomendável para qualquer estudioso da  Conscienciologia.

*Fonte: Revista Conscientia, 13(1): 91-92, jan./mar., 2009

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